As noites no mato
       

                            Sempre dormi mal.Mesmo quando novo, raramente tinha um noite completa a dormir.Quando fui

            para Moçambique e em situação de operações no mato, então praticamente não conseguia dormir.Ou era

            por estar a chover, ou era porque a situação do terreno não o permitia, enfim dormir não conseguia.Muitas

            noites , após a decisão tomada de pernoitarmos, formávamos o circulo e definiamos os turnos, então muitas

            vezes passáva a noite a fazer rondas ao longo do perimetro.

                            Numa operação, que já não recordo o objectivo, e  quando se aproximou a noite, escolhemos

            o local apropriado, fizemos o circulo, definimos os turnos  de alerta e lá fui eu, como de costume, dar a volta

            ao circulo.Muitos dormiam, outros fumávam, com a preocupação de colocar a ponta do cigarro no interior

            do tapa chamas da G3, os que deviam estar alerta, alerta estávam.Continuei o meu caminhar quando, de repente,

            dei com o Sargento Cruz, que raramente ia para operações, a dormir junto ao meu amigo Lúcio Marcelino.Não

            sei o que me deu, só sei que dei um chega para lá e coloquei-me no meio dos dois.Demorei a adormecer, o que

            sempre foi uma caracteristica minha, no entanto foi uma directa, como já não tinha há muito tempo.Nas noites

            seguintes , enquanto durou a operação, tentei fazer o mesmo mas nunca mais resultou.

                                                                                                                    José Fernando Pascoal Monteiro ( Ex-Furriel Miliciano )
       
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