MOCIMBOA DA PRAIA

 

Na intervenção de 70 dias que fiz a Cabo Delgado depois de 13 meses no SAGAL, nem tudo foi mau, se inventariarmos que tínhamo-nos de deslocar em viaturas, que por si só éramos um alvo  em movimento e que durante esses 70 dias não soube o que era um colchão.

Andar no mato desde que soubéssemos racionar  a água e os alimentos não era mau de todo, tínhamos tido experiência mais do que o suficiente durante o tempo que passamos no Sagal, e o nosso comandante disse-nos logo que era proíbido haver baixas, durante esta nossa intervenção. Estar sempre alerta quando nos deslocávamos em viaturas. Já andar no mato tínhamos força suficiente para qualquer grupo da Frelimo.

A nossa missão era apanhar os frelos com as calças na mão e nunca sermos surpreendidos  por eles, o que sabíamos muito bem fazer.

Tirando tudo isto Mocimboa da Praia, direi mais o melhor das zonas intervencionadas. Ora como tínhamos quatro dias de mato e quatro dias em Mocimboa da Praia, deu para conhecer novos camaradas e para comer bem algumas vezes.

Não me lembro de ir alguma vez comer á Messe de Sargentos, mas direi também não me lembrar de andar os 70 dias a comer ração de combate.

Também tive um dissabor com umas lagostas que comprei a um pescador, pois que um dos camaradas que alinhavamos mais quando estávamos em Mocimboa da Praia era o 1º Sargento de Engenharia Costa Cabral . Este disse que era especialista em arranjar as lagostas. Ele esqueceu-se de tirar a tripa e quase que indo desta para melhor.

Recordo no Café cervejaria Restaurante Arco Iris um comandante de milícias ou Flexas com uns copos a pregar crachás no peito  e não deitava sangue. Este comandante era um indivíduo baixo e magro,entrou lá um elementodele que era uma torre . não lembro o que ele fez mas sei que mandou esse elemento descer dois degraus e pô-lo em sentido e manda-lhes umas bofetadas  que fazia o boné do desgraçado cair e pedir licença para o apanhar e ficar novamente em sentido â espera de novas bofetadas.

Parede, 16 de Outubro de 2016

 Es-Furriel Milº, António Nascimento

 
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