Império ( Ou o barco da alegria )

               
Em 8 de Maio de 1969, já tinhamos dado cerca de três ano e meio da nossa juventude

        ao País, embarcamos no porto da Beira, rumo ao nosso cantinho de Portugal Continental.

                    Todos nós erradiavamos alegria, todos nós estavamos contentes, pois finalmente

        iriamos regressar para o nosso ambiente natural, junto dos familiares e amigos.

                    Procuramos o lugar que nos estava destinado e começamos a arrumar a bagagem.

        Iriamos fazer, de novo, a viajem mas em sentido inverso áquela que tinhamos feito há

        dois antes.

                    Novamenete em Lourenço Marques, onde o batalhão desfilou de novo e desta vês

        todos os pelotões deixaram um espaço que pertenceria a companheiros que  tombaram

        em combate.Uns foram  visitar os bairros tipicos da cidade, outros comer o frango á

        cafreal e outros ainda, matar saudades de há muitos anos.
       
                    Novamente a bordo com passagem, ao largo, pela cidade do Cabo.Os serviços

        eram executados com imenso prazer, as noitadas grandes e até o enjoo era muito menos.

        Todos nós espelhavamos alegria nos nossos rostos  com perspectiva da chegada a Lisboa.

        Já nos encontramos novamente em Luanda, onde entram alguns camaradas de rendição

        individual, damos uma volta pela bela cidade Angolana e um dia depois novamente a

        bordo do Império com passagem pela linha imaginária do Equador.

                Mais alguns dias a bordo com sessões de cinema e cartas pela noite dentro, tivemos

        a nitida sensação que nos estávamos a aproximar do nosso cantinho Pátrio.Houve a bordo

        uma alegria imensa quando comaçamos a ouvir as rádios Portuguesas.

                Já não havia descanso a bordo, todos nos viràmos para o lado do barco, onde se

        avistaria a costa Portuguesa.Salvo erro, só pero de Setúbal avistamos, finalmente, a

        nossa terra, a terra que nos tinha visto partir.Pareceu-nos que o barco tinha abrandado,

        tal era a nossa ansia de chegar.A noite aproximou-se e tivemos a certeza que não

        desembarcariamos nesse dia, ficando fundeados na bacia do Tejo.

                Não tenho a certeza, mas tenho a convicção que nessa noite ninguém dormiu.

        Lembro-me perfeitamente de estar a tomar banho, e pela vigia vêr a marginal de Cascais

        com os seu carros.Apontei a amigos meus o local onde morava, na freguesia da Ajuda.

                Finalmente a noite passou e já estamos no dia 31 de Maio de 1969.O barco movimenta-se

        em direcção à Rocha Conde de Óbidos e lentamente encosta-se ao cais.

                Não podiamos perder mais tempo, tinhamos os familiares  e amigos á nossa espera.

                 
                                 José Fernando Pascoal Monteiro ( Ex-Furriel Miliciano )


                                                    Linda-a-Velha, Março de 2013

   
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