Defendi Portugal em África

 

De certeza que não encontro justificação, plausível, para essa atitude.A chamada guerra do Ultramar  tinha começado em Março de 1961 em Angola.

Hoje para mim, o nosso problema tinha começado em finais daDécada de 50  e principio da de 60 com as independências dos países Africanos

            Os Ingleses, que já tinham tido um grande problema na Índia, viraram a agulha e enfrentaram o caso com nova perspectiva começando

as conversações com os movimentos independentistas que havia nas suas colónias Africanas, no que resultou, em quase todas elas, uma independência

 politica e a estrutura económica manteve-se exactamente como estava, permitindo ás populações brancas continuar, pois os africanos

não tinham quadros suficientes.Em muitos países Africanos de expressão Inglesa, esta situação ainda se constacta,muito embora se tenha vindo a atenuar.

            Nós por cá, país pequeno, preferimos o “Orgulhosamente sós”.Antes de 1961 não era fácil a entrada de Continentais em África, invertendo-se

completamente após esta data, pois o estado necessitava de povoar os territórios.

            Em 1966 fui apanhado por esta máquina que necessitava de gente para servir esta politica e eu, como a maioria, sem consciência  politica lá

fui defender o que nos disseram sêr justo.Antes dos movimentos independentistas se encostarem á antiga URSS, houve tentativas de dialogo

que não tiveram eco do antigo regime português.

            A independência era só uma questão de tempo, pois no contexto

internacional o nosso país estava completamente isolado.

            Apareceu o inevitável a 25 de Abril, foi uma revolução e como tal tudo se desmoronou num ápice.

           Aqui, a extrema esquerda gritava o célebre slogan "não mais um soldado para o Ultramar", e os que lá estavam receberam ordens para ficar 
 
 nos quartéis.Foi a desordem geral lá como cá.

            As populações brancas do ultramar, muitas delas eram tão africanas como os próprios africanos negros, viram de repente as suas vidas mudarem

radicalmente.Lembro-me da ponte aérea, a maior do pós segunda guerra.

Absorvemos cerca de um milhão de pessoas que voltaram á sua pátria de origem e que muitos, ou a maioria, vieram com aquilo que tinham no corpo,

largando apressadamente tudo o que tinham adquirido, para salvar a própria vida.

        Infelizmente não tivemos nos nossos territórios Africanos nenhum Nelson Mandela, mas também, infelizmente, não tivemos por cá políticos com visão de antecipar o futuro como o Sul Africano Frederik de Klerk.

            Aqueles que conscientemente, e por questões ideológicas, abandonaram o país por estarem em desacordo com tal politica, merecem o meu respeito.

           Não renuncio ao meu passado de combatente em África.

            Hoje sei que foi um combate inglório por falta de visão politica.

            Teria voltado a fazer o mesmo????Nas mesmas circunstancias, provavelmente, sim.

                           José Fernando Pascoal Monteiro

          

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