Reabastecimento ao Chefe de Posto

            Em Junho de 1968 a minha companhia,a 1710, sai de Mueda com destino ao distrito de Tete para Vila Coutinho na região de Angónia.

    Nesta vila ficaram dois pelotões e outros dois foram,  para o Dómue e Tsangano, este último junto á fronteira com o Malawi.

            Nesta zona andávamos conpletamente á vontade.Não havia presença de tropas da guerrilha, no entanto já se constáva que havia passagem

    e algumas movimentações da  Frelimo.

            Passados alguns meses de permanencia em Vila Coutinho, calhou ao meu pelotão ir para o destacamento do Tsangano constituido por um

    barracão onde se dormia e outro, mais pequeno, que servia de cozinha.Aqui o tempo era passado na apanha de lenha e na caça, para consumo próprio.

            Certo dia, a minha secção foi encarregue de fazer escolta a um reabastecimento para um posto pertencente ao governo da provincia.Pela distancia

    calculei que teriamos que levar rações de combate, pois não chegariamos a tempo de voltar para o almoço no quartel.A coluna inicia-se com um Unimog,

    uma camioneta e um jeep com o chefe de posto.O percurso fez-se sem problemas de maior, apenas com alguns "atascanços" da camioneta civil, prontamente

    resolvidos com os guinchos do Unimog.Lá chegámos ao posto desejado, ajudámos a descarregar os mantimentos e quando me preparáva para almoçar

    a minha ração de combate,juntamente com os meu camaradas, fui convidado pelo chefe de posto para almoçar com ele, o que agradeci a amabilidade.A esposa

    não estáva,tinha ido a Tete visitar a filha que se encontráva no colégio,tendo o almoço sido confecçionado apenas por ele.Colocado tudo na mesa, começamos

    a comer.Estávam perante nós dois copos de pé alto que, gentilmente, quase encheu.Iamos comendo e conversando sobre as nossas vidas e perspectivas,

    enquanto eu olhava de soslaio para a cor do vinho,que mais parecia rosé que branco, no entanto continuei a desconfiar da sua côr.Várias garfadas e  troca

    de opiniões depois, pego no copo e naturalmente bebo uma porção e simultaneamente quase que fico asfixiado pela surpresa do líquido.O chefe de posto

    apercebendo-se, diz-me então que não teve tempo para abrir o barril de vinho,que entretanto tinha vindo no reabastecimento, e que era vulgar a sua

    substituição por wisky.

                                                                                            Setembro de 2010

                                                                                                            José Fernando Pascoal  Monteiro ( Ex-Furriel Miliciano )

            
 
Regresso ao Cantinho do Monteiro