Picar a picada
  
       

CAPÍTULO VIII-As picadas tinham distâncias entre si, conforme a separação das companhias de Caçadores no mato. Ao meio desta distancia deu-se o nome de limite. Cada grupo de combate, das companhias vizinhas, tinha de picar a sua meia distancia, enquanto a outra fazia o mesmo. Neste vai e vem, os que recebiam a coluna, regressavam ao seu aquartelamento, nas viaturas, a não ser que algo suspeito se verificasse, enquanto os que a entregavam, faziam o seu regresso uma vez mais a pé, e sujeitos ao perigo que estes percursos implicavam.

As picadas eram o percurso a efetuar, por uma coluna auto, de um lugar para o outro e vice-versa, pelo interior da selva, transportando toda a diversidade de artigos, desde alimentares a material de guerra, etc. etc. etc.

Para esta operação , decorrer com maior ou menor segurança, na sua frente, seguia um grupo de combate, composto por mais ou menos vinte elementos, transportando consigo, para além do armamento individual de defesa, detetores de metais e picas de arrasto. Os detetores de metais com a base retangular e cabo com cerca de metro e meio de altura e auscultadores, ambos fabricados em material mais ou menos leve, funcionavam através de uma pequena bateria.

As picas de arrasto, feitas em ferro compostas por três dentes interligados numa barra contendo um orifício, ao centro onde ia encaixar um cabo em madeira, com aproximadamente quatro metros de comprimento.

Este material era usado pelos elementos do grupo de combate, que seguia na dianteira da picada, de ambos os lados do rodado das viaturas. Os primeiros dois de cada lado, com as picas de arrasto, na sua retaguarda, um elemento da cada lado com a função de proteção, e logo atrás destes, outros dois elementos, também de cada lado, com os detetores de metais. A sua segurança, dependia apenas dos restantes, neste caso de dez elementos do grupo, cujo objetivo, apenas se focava na defesa de todo o grupo em retaliação a emboscadas ou outras forma de ataque utilizadas pelo IN.

A função dos elementos da dianteira, pela atenção requerida no desempenho da missão, tornava-se a mais esgotante e perigosa. Para além de suportarem o peso do armamento individual, os transportadores das picas focavam o seu olhar nos dentes desta, para verificarem se deslizava suavemente pelo percurso, ou se, enterrava de forma brusca. Os portadores dos detetores de metais, iam concentrados na sua audição, para verificação da alteração do som , emitido pelo próprio aparelho. A presença de ambos os aparelhos tinha como finalidade detetar na picada, todo o tipo de minas. A pica de arrasto, na sua descida brusca, referenciava o terreno solto e removido, indiciando anormalidade, cuja verificação era feita em primeiro lugar, através do detetor de metais e posteriormente por um graduado do grupo. Por sua vez o detetor de metais, para além da função já citada, deambulava pela área do rodado, parte lateral e central deste. Este aparelho era bastante sensível, por isso dava muito trabalho e provocava imensas paragens, chegava a detetar invólucros, já corroídos pelo tempo. Nesta missão, muitas das vezes o esforço desenvolvido não era compensado. Como resultado disso, aconteciam incidentes muito desagradáveis, tanto em veículos com em companheiros.

CAPÍTULO XI-Em muitas das picagens, efetuadas entre Muidine e Pundanhar, mais a norte, por vezes aconteciam pormenores importantes, por parte do IN., cujas intenções causavam nervosismo e mau estar constante. Quando um grupo de combate levava a coluna ao limite de Pundanhar, no seu regresso, a picada sobre o rodado das viaturas, encontrava-se cheia de peugadas, umas descalças, outras com rasto de chinelos, para um e outro lado do IN., como que a comunicar, já ali terem estado.


                                                                                              Companhia de Caçadores de Muidine
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