Muidine


CAPÍTULO I-Este aquartelamento, colocado de forma estratégica isoladamente nesta selva, visava encurtar a distância entre os aquartelamentos de Nangade e Pundanhar, de 60 para 30 Km. Neste caso os grupos de picagem de ambos os lados, passaram a ter apenas 15 Km, a percorrer para cada lado. O controlo fronteiriço ao longo de todo o campo de minas, ali existente, construído pela nossa tropa, a fazer a separação entre Moçambique e a Tanzânia. A maioria dos patrulhamentos eram para aí direcionados, como forma de evitar a entrada alargada e desenfreada do IN., e por nesta região em período que se ignora terem habitado algumas tribos, dada a existência de várias palhotas, semidestruídas e vestígios de utensílios domésticos .    

  CAPÍTULO IX-Com uma semana de presença neste local, aqui chegou a coluna de abastecimento vinda da localidade de Palma, passando por Pundanhar e chegando a Muidine. Nesta coluna, para além dos víveres e outros vinha também um soldado ferido, causado por uma mina anti-pessoal. Esta coluna, por razões que se ignora, demorou imenso tempo a chegar a Muidine, chegou muito para além da denominada hora maconde (16h00).

O comandante desta coluna, via rádio solicitou a evacuação para o soldado ferido. É desconhecido o facto, dela não ter ocorrido em plena picada.

Já no aquartelamento de Muidine, o citado soldado foi transferido para a enfermaria, uma tenda de campanha bastante danificada. Não tinha o pé direito e sangrava com alguma abundancia. O Furriel Miliciano Condeço, enfermeiro da companhia, juntamente com o seu pessoal, logo iniciaram a sua tarefa na tentativa de estancar o sangue. Com o adiantado da hora, e a escuridão a ter o seu lugar, foi iluminada a pista de aterragem de ambos os lados, com garrafas de cerveja cheias de petróleo com a tampa perfurada de onde saía uma pequena torcida em pano, à qual se ateava fogo proporcionando muito boa luminosidade, ao longo de toda a pista. O furriel miliciano Condeço, continuava de forma exaustiva o tratamento do soldado ferido, dando a entender estar com alguma dificuldade para conseguir estancar a hemorragia.

A noite foi decorrendo, sem que o apoio aéreo fizesse a sua aparição. Pela manhã, vindo dos ares, lá apareceu o hélio, que transportou o soldado, num estado bastante crítico para o hospital, não se sabe se sobreviveu, talvez, pois seria bastante gratificante, em função das tarefas desenvolvidas nesse sentido. A árdua dedicação do furriel miliciano Condeço e seus pares, a iluminação da pista, apesar de demorada conseguida, deveriam ter tido por parte da força aérea, outro comportamento. Por vivencia desta narrativa, no mato os grupos de combate de Muidine, evitavam movimentar-se a partir da fatídica hora maconde.


                                                                                       Companhia Caçadores de Muidine
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