Helder Feitais Pereira


                Há brincadeiras que nunca se devem fazer.Quando em Tavira fiz a recruta e a

    especialidade, havia camaradas que brincavam apontando a arma em jeito de dar um tiro.

    Nunca gostei e várias vezes apelidei tais brincadeiras de estupidas.Já em Mafra, quando dei

    a recruta a instruendos do COM, não podia com tal brincadeira e sempre respondia com veemência

    a tal atitude.

                Depois de mobilizado, e já em Mueda,Moçambique, nunca tolerei tal brincadeira.Quando

    saiamos para o mato, quer em patrulhas ou em operações, era o Furriel responsável pela secção,

    que dava indicação, após a passagem da porta de armas, para introdução de bala na camara.Era

    também o Furriel que dava indicação para extração de bala da camara, imediatamente antes da

    entrada no quartel.Assim seria garantida que as armas que estavam nas casernas não teriam

    munições nas camaras.Era uma garantia minima de segurança, pois ninguém ia verificar tal acto.

                Em Junho de 1967 - Chegámos a Mueda em Maio - o acidente acontece.Um camarada

    ao passar para a acasa de banho, mete-se com outro que está deitado e este aponta-lhe a G3

    dizendo-lhe " Dou-te um tiro", convencido que nada havia na camara.Ao premir o gatilho o

    camarada tomba de imediato, fulminado por uma bala não extraida da camara.Levado para o

    hospital, que estava bastante próximo, não resistiu.

                Foram três os envolvidos nesta brincadeira estupida.O camarada morto, o dono da arma,

    e quem disparou.Serviu de exemplo, triste.Teria sido necessário tal exemplo ??????

                                                          José Monteiro   ( Ex- Furriel Miliciano )

                                                                  Linda-a-Velha, Outubro de 2013
                 
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